Onde ficam
Cada círculo é um trajeto de um prédio a outro, do tamanho do número de eleitores e na cor de quem venceu ali no 1º turno. Escolha um estado ou busque uma escola. Aproxime para ver as setas e clique para ver os endereços e os votos.
Lista dos locais no mapa
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Quanto o local muda de lugar
Nas urnas com distância conhecida, metade dos eleitores vai votar num prédio a cerca de 410 m, em linha reta, do prédio do 1º turno. Para 87% deles, o prédio novo fica a menos de 1 km do antigo; para 2,2%, a 5 km ou mais. A conta vale para 756 urnas, com 229 mil eleitores. As outras 269 não têm coordenada confiável de um dos prédios.
Isso não é o deslocamento de cada eleitor. É a distância entre os dois prédios. O cadastro não diz onde o eleitor mora, e quem mora perto do prédio novo pode até andar menos que no 1º turno. Pelas ruas, o caminho também é maior que a linha reta.
Distância por estado
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O que essa conta não mede
- Onde o eleitor mora. O endereço do eleitor não é público. Para medir quanto cada pessoa vai andar a mais (ou a menos), seria preciso saber de onde ela sai.
- O caminho. A distância é em linha reta, sem rotas. Um rio, uma rodovia ou uma estrada de terra podem deixar o trajeto bem maior.
- As 269 urnas sem distância (81 mil eleitores). Em 223, um dos prédios não tem coordenada no cadastro ou ela cai fora do município. Em 46, o prédio mudou sem trocar de número, e o cadastro manteve a coordenada antiga. No Norte, cerca de 1 em cada 4 urnas que mudam fica de fora. Não dá para saber se elas mudam mais ou menos que as outras.
- Erros de coordenada. Pontos fora do município são descartados, mas um ponto errado dentro dele passa. Unaí (MG), com 73 km, pode ser um desses casos; não conferimos. As mudanças de mais de 10 km estão listadas no repositório para conferência.
- Estados com poucos trajetos. Urnas do mesmo prédio têm a mesma distância. Num estado com um ou dois trajetos, a mediana é a distância desses trajetos e diz pouco sobre o estado.
- Mediana, não média. A média, 860 m por eleitor, é puxada por poucos casos longos. A mediana descreve melhor o caso típico.
Por que 1.025 e não 4,3 mil
O TSE divulgou em 16 de outubro, e a imprensa reproduziu no dia 17, que 4.352 seções tiveram o local de votação alterado para o 2º turno, 0,87% das 499.248 do país. O painel de estatísticas do TSE já mostrou outros números, com critérios diferentes. Nós contamos 1.025 urnas.
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| Fonte | O que compara | Urnas | % das 499.248 |
|---|---|---|---|
| TSE, número divulgado em 16/10 | Critério não informado | 4.352 seções | 0,87% |
| Painel do TSE, atualização de 17/10, 6h28 | Local do 2º turno × local de cadastro da seção | 4.863 | 0,97% |
| Painel do TSE, atualização de 18/10, 7h09 | Local do 2º turno × local do 1º turno, pelo número ou pelo nome do local | 2.023 | 0,41% |
| Este levantamento, primeira versão (cadastro de 17/10, 6h32) | Prédio do 2º turno × prédio onde a urna funcionou no 1º turno | 2.059 | 0,41% |
| Este levantamento, segunda versão (cadastro de 17/10, 23h37) | Prédio do 2º turno × prédio onde a urna funcionou no 1º turno | 1.792 | 0,36% |
| Este levantamento, terceira versão (cadastro de 18/10, 11h27) | Prédio do 2º turno × prédio onde a urna funcionou no 1º turno | 1.733 | 0,35% |
| Este levantamento, versão atual (cadastro de 18/10, 20h27) | Prédio do 2º turno × prédio onde a urna funcionou no 1º turno | 1.025 | 0,21% |
As 2.023 urnas do painel de 18/10 incluem 9 no exterior, que ficam fora desta conta. O painel lista seções (2.033); aqui contamos urnas.
O painel de 18/10 e esta conta
Na atualização de 18/10, o painel passou a fazer a mesma pergunta que fazemos aqui: o local do 2º turno é o mesmo do 1º? Exportamos a lista do painel e cruzamos com o cadastro, seção a seção. A exportação, de 18/10 às 7h09, é anterior aos dois cadastros publicados depois (11h27 e 20h27). Das 1.025 urnas desta página, 979 estão no painel; as 46 que entraram na lista com esses cadastros (13 em Januária, MG, e 33 com o das 20h27) ainda não estão. No Brasil, o painel tem 1.035 urnas a mais. Em 837, o cadastro atual põe o 2º turno no mesmo local do 1º: são quase todas as que saíram da nossa lista com os cadastros novos. Nas outras 198, o endereço do local é o mesmo nos dois turnos:
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| Só no painel | Exemplo real | Urnas |
|---|---|---|
| O número e o endereço do local continuam os mesmos; só o nome muda | Mulungu do Morro (BA), zona 55: "Colegio Joao Primo da Silva" passa a "Colegio Municipal Joao Primo da Silva" | 162 |
| Só a grafia do nome muda: espaço, acento ou pontuação | Montes Claros (MG), zona 184: "Escola Estadual Gonçalves Chaves", com e sem um espaço a mais | 32 |
| O local ganha outro número, com o mesmo nome e o mesmo endereço | Aimorés (MG), zona 5: a Unipac é o local 1210 no 1º turno e 1031 no 2º | 4 |
| Nos cadastros de 18/10, 11h27 e 20h27, posteriores ao painel, o local do 2º turno passa a ser o mesmo do 1º | Bacabal (MA), zona 13: 9 urnas que funcionaram no dia 4 na U.E.F. Alice Mendes iam voltar ao Centro de Ensino Professora Isabel Castro Viana e agora continuam na Alice Mendes | 837 |
Há um caso em que não dá para ter certeza. Em 33 das 162 urnas da primeira linha, o nome muda por completo, mas o número, o endereço e as coordenadas do local continuam iguais. Isso acontece em seis municípios: Iúna (ES), Goiânia (GO), São Bento (MA), Campina Verde (MG), Portel (PA) e Presidente Médici (RO). Pode ser um prédio que mudou de nome ou outro prédio com o cadastro desatualizado. Não contamos essas urnas, mas elas estão na lista do painel no repositório, com o nome do local nos dois turnos. Se for o seu caso, confirme o local no e-Título.
A diferença está na comparação
Toda seção tem um local de cadastro, onde costuma funcionar. Às vezes a Justiça Eleitoral a leva provisoriamente para outro prédio, por causa de reforma, chuva, falta de energia ou de acessibilidade. Até 17/10, o painel do TSE comparava o local do 2º turno com o de cadastro, e por isso o número era tão maior. Para quem vai votar, a pergunta que importa é outra: vou votar no mesmo prédio em que votei no dia 4?
Essa diferença de critério separa as urnas em quatro situações. Os números abaixo são do cadastro atual:
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| Situação | Exemplo real | Urnas | Painel de 17/10 | Este levantamento |
|---|---|---|---|---|
| Já estava fora do local de sempre no 1º turno e continua no mesmo prédio provisório | Campo Grande (AL), zona 20: as seções 125 e 126, cadastradas na Escola Douglas Apratto, funcionaram no dia 4 no ginásio do Colégio Douglas Apratto e continuam lá | 5.811 | conta | não conta |
| Sai do local de sempre só no 2º turno, ou troca de um prédio provisório por outro | São Paulo, zona 256: 12 urnas da EE Conselheiro Ruy Barbosa vão para o Recanto Nossa Senhora de Lourdes, a 560 m | 224 | conta | conta |
| Volta ao local de sempre no 2º turno, depois de ter funcionado em outro prédio no 1º | Recife, zona 3: 12 urnas que funcionaram na Escola São Jorge voltam à Escola Monsenhor Álvaro Negromonte, a 870 m | 755 | não conta | conta |
| O local de sempre muda de prédio sem trocar de número no cadastro | Nova Iguaçu (RJ), zona 156: 14 urnas do CIEP 351 passam para o Colégio Estadual Barão de Tinguá. O cadastro trocou o nome e o endereço do local, mas manteve o número | 46 | não conta | conta |
O critério do painel de 17/10 soma as duas primeiras linhas: com o cadastro atual, 5.811 + 224 = 6.035 urnas. Nós somamos as três últimas: 224 + 755 + 46 = 1.025. Só as 224 da segunda linha estão nas duas contas. Cerca de 74% das urnas que mudam de fato estão voltando ao local de sempre. As urnas que saíram da lista a cada versão do cadastro (267 na manhã de 18/10, 72 à tarde e 741 à noite) estavam na terceira linha e passaram para a primeira: no 2º turno, ficam no prédio provisório do 1º. As que entraram (13 à tarde e 33 à noite) votavam no local de sempre nos dois turnos e passaram para a segunda.
Quando o cadastro não bate
Em algumas urnas, o número e o nome do local mudam do 1º para o 2º turno, mas o endereço é idêntico. Quando o cadastro reescreve o endereço do local de sempre para o do prédio provisório, a urna quase certamente continua no mesmo prédio, e não a contamos. No cadastro atual, nenhuma urna está nesse caso. Nas versões anteriores, eram 20 em São Paulo: elas passavam do Prédio Anexo da USP para a FECAP São Francisco, que em 2022 ficava no Largo São Francisco, 19, e aparecia no endereço do anexo. No cadastro de 18/10, 20h27, as 20 urnas aparecem no Prédio Anexo da USP nos dois turnos, o que confirma que não mudam de prédio.
A primeira versão desta página retirou outras 12 urnas pelo mesmo motivo, em Timóteo (MG), zona 98. Elas tinham ido da Escola Municipal Limoeiro para a Escola Estadual Haydée de Souza Abreu no 1º turno, e o cadastro das 6h32 de 17/10 indicava a Limoeiro no 2º turno, mas com o endereço da Haydée. Desde o cadastro de 17/10, 23h37, as 12 urnas aparecem na Haydée nos dois turnos, o que também confirma o critério.
Outras 45 urnas também têm o mesmo endereço nos dois turnos, mas continuam na conta. Em geral o endereço é genérico, como "S/N", um povoado ou uma aldeia, onde há prédios diferentes com o mesmo endereço. No mapa, esses trajetos trazem um aviso. Se for o seu caso, confirme o local no e-Título.
Seção ou urna?
Em geral, cada seção tem a sua urna. A exceção é a seção agregada, cujos eleitores votam na urna de outra seção, a principal. O país tem 517.179 seções e 499.248 urnas, contando as 1.351 do exterior. As "499.248 seções instaladas" citadas pelo TSE são, portanto, urnas, e por isso comparamos tudo em urnas. As 1.025 urnas que mudam também recebem os eleitores de 42 seções agregadas. No exterior, 9 urnas mudam de prédio: em Colônia (Alemanha), do Congress-Centrum Nord da Koelnmesse para o Gürzenich, e em Praga, do Art Nouveau Palace Hotel para a chancelaria da Embaixada do Brasil. Elas recebem 18 seções, com 6.275 eleitores, e ficam fora da conta, como todo o exterior. A primeira versão desta página dizia, por engano, que nenhuma urna mudava no exterior.
E a diferença de data?
O número do TSE usa dados contabilizados até 16 de outubro. Os nossos são do cadastro gerado em 18 de outubro às 20h27 e do painel atualizado em 18 de outubro às 7h09. Cada nova versão do cadastro substitui a anterior no portal do TSE, então não é possível refazer a conta com a versão de 16/10. Guardamos as versões que baixamos.
A data pode explicar parte da diferença no total, mas não a distribuição por estado. O TSE cita 982 seções em São Paulo, 514 em Minas, 431 no Rio de Janeiro e 312 na Bahia. No painel de 17/10, eram 315, 323, 47 e 167 seções nesses estados. No painel de 18/10, são 146, 264, 19 e 127, e as urnas que de fato mudam de prédio são 48, 90, 19 e 119. Testamos outras formas de contar, incluindo trocas de nome e de endereço, e nenhuma chega a 431 no Rio. O TSE não informou o critério desse número, e não conseguimos reproduzi-lo.
Quem vota nessas urnas
No 1º turno, os eleitores dessas 1.025 urnas votaram mais em Lula que o resto do país: Lula teve 52,3% dos votos válidos e Flávio, 41,2%. No Brasil, Flávio ficou à frente, com 47,0% contra 45,2%. Lula venceu em 617 dessas urnas e Flávio em 403, com 5 empates. A abstenção foi praticamente a do país: 20,4%, contra 20,8%.
O motivo é geográfico: 49% desses eleitores estão no Nordeste, onde Lula vence com folga, e o mesmo acontecia em 2022 (veja abaixo). Para saber se as mudanças atingem mais as urnas de um dos lados, comparamos cada urna que muda com as urnas do mesmo município e da mesma zona eleitoral que não mudam. Nas que mudam, Lula teve 0,05 ponto a mais que nas vizinhas, com intervalo de 95% de 0,9 ponto a menos a 1,0 a mais. Em 46% delas, Lula teve resultado melhor que nas vizinhas. A diferença fica dentro da margem de erro: os dados não mostram que as mudanças atinjam mais as urnas de um dos candidatos.
E por local de votação?
Dá para fazer a mesma pergunta olhando os locais de votação: onde Lula foi melhor no 1º turno, há mais chance de alguma urna mudar de prédio? Como no resto da página, mudar aqui é trocar de prédio do 1º para o 2º turno; não contam as seções que já estavam fora do local de sempre no 1º turno e continuam no mesmo prédio no 2º. No país como um todo, há, um pouco, porque as mudanças se concentram em estados onde Lula vence, como os do Nordeste. Comparando locais do mesmo estado ou do mesmo município, essa associação não aparece.
Quem fez essa pergunta primeiro foi @DavidDinizK, numa análise publicada no X em 17/10, com os dados abertos. Ele encontrou mais chance de troca nos locais com mais votos em Lula, também entre locais do mesmo estado, e nenhuma diferença entre locais do mesmo município. A parte entre estados vale também para as urnas que mudam de fato.
Ele usou a lista do painel do TSE de 17/10, que comparava o 2º turno com o local de cadastro (veja as quatro situações). Essa lista mede outra coisa: das 4.864 seções, 4.692, ou 96%, votam no 2º turno no mesmo local do dia 4. Elas já estavam fora do local de cadastro no 1º turno e continuam assim. O 1,5 milhão de eleitores citado na análise é o eleitorado dessas seções. Nas 1.025 urnas que mudam de prédio, são 310 mil. O TSE mudou o critério do painel em 18/10.
Com as 1.025 urnas, a linha sobe no país: de 0,12% dos locais onde Lula teve menos de 30% para 0,46% onde teve de 60% a 75%, e recua um pouco acima de 75%. Comparando cada local com o próprio estado ou o próprio município, ela varia pouco, entre 0,22% e 0,38%, sem subir de forma regular com o voto em Lula; na regressão abaixo, a associação fica dentro da margem de erro. É assim que a geografia aparece: as mudanças estão mais em estados onde Lula vence, mas, dentro de cada lugar, não se concentram nos locais mais lulistas. A lista do painel de 18/10 tem o mesmo desenho. Na de 17/10, a usada na análise original, os locais pelo menos 5 pontos mais lulistas que o estado aparecem um pouco mais (1,5% a 1,6%, contra 1,2% a 1,3% nas outras faixas), como ele encontrou; comparando com o município, a linha cai. Use o seletor acima do gráfico para ver cada lista.
Refizemos a conta com a lista de 17/10, montada a partir do cadastro, e com as duas listas que medem a mudança do 1º para o 2º turno: a do painel de 18/10 e as 1.025 urnas desta página. Com a lista de 17/10, o resultado vai na mesma direção do dele em várias formas de medir. Com as outras duas, a associação dentro do estado ou do município não aparece em nenhuma das formas de medir que testamos. A diferença vem da lista e da forma de medir: na regressão com o percentual de Lula (abaixo), nem a lista de 17/10 mostra associação dentro do estado, e a diferença entre as listas fica dentro da margem de erro (veja os detalhes).
A conta com intervalos de confiança
A mesma pergunta, numa regressão: quanto muda a chance de um local estar na lista quando Lula teve 10 pontos a mais nele, comparando todos os locais, locais do mesmo estado e locais do mesmo município.
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| Lista | Locais na lista | Todos os locais | Mesmo estado | Mesmo município |
|---|---|---|---|---|
| Painel de 17/10 (2º turno × cadastro) | 1.268 1,34% | +0,13 +0,07 a +0,18 | +0,01 −0,08 a +0,10 | −0,15 −0,25 a −0,06 |
| Painel de 18/10 (2º × 1º turno) | 542 0,57% | +0,04 −0,01 a +0,08 | −0,05 −0,11 a +0,01 | −0,06 −0,12 a +0,01 |
| 1.025 urnas que mudam de prédio | 288 0,30% | +0,04 +0,02 a +0,07 | +0,02 −0,03 a +0,07 | +0,01 −0,03 a +0,05 |
Entre todos os locais, há uma associação pequena: com as 1.025 urnas, 10 pontos a mais de Lula somam 0,04 ponto a uma chance de 0,30%. Entre locais do mesmo estado ou do mesmo município, ela fica perto de zero, dentro da margem de erro. Mesmo no limite dos intervalos, 10 pontos a mais de Lula levariam essa chance de 0,30% para cerca de 0,37%. Ou seja, a associação vem de onde as mudanças acontecem, e não de quais locais são escolhidos em cada lugar. É a mesma conclusão da comparação urna a urna com as vizinhas: os dados não mostram que as mudanças atinjam mais os locais onde um dos candidatos foi melhor.
As mudanças se concentram no Norte e no Nordeste, como em 2022
Se a associação vem da geografia, a pergunta passa a ser outra: as mudanças se concentram em algumas regiões? Sim, e não é novidade de 2026. Contando do mesmo jeito em 2022, quando 1.506 urnas trocaram de prédio do 1º para o 2º turno, o desenho é parecido. Nas duas eleições, quase metade dos eleitores dessas urnas está no Nordeste, que tem 28% do eleitorado. O Norte também fica bem acima do seu peso, e o Sudeste, com 42% do eleitorado, bem abaixo.
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| Região | Eleitorado do país, 2026 | Eleitores das urnas que mudam, 2022 | Eleitores das urnas que mudam, 2026 |
|---|---|---|---|
| Norte | 8% | 26% | 16% |
| Nordeste | 28% | 47% | 49% |
| Centro-Oeste | 8% | 3% | 6% |
| Sudeste | 42% | 10% | 16% |
| Sul | 14% | 15% | 12% |
Os estados se repetem em parte. O Amapá está entre os dois com maior proporção de urnas mudando de prédio nas duas eleições (em 2022, o primeiro foi Roraima, que agora não tem nenhuma), e a ordem dos estados de 2022 se parece moderadamente com a de 2026 (correlação de 0,52). A Justiça Eleitoral cita chuva, reformas de escolas e problemas de infraestrutura como motivos; os dados abertos não trazem o motivo de cada mudança.
A concentração no Nordeste, onde Lula vence com folga, explica a diferença de voto. No Norte, Lula teve menos que no país. Nas urnas que mudam em 2026, Lula teve 52,3% dos votos válidos no 1º turno, contra 45,2% no país. Se cada uma votasse como o próprio estado, seriam 50,9%; como o próprio município, 52,4%. Em 2022, Lula teve 51,1% nessas urnas, contra 48,4% no país e 52,2% esperados pelo estado (52,0% pelo município). Nas duas eleições, as urnas que mudam votaram perto dos lugares onde estão: em 2022, um pouco abaixo deles; em 2026, praticamente igual ao esperado pelo município.
O impacto, passo a passo
1. Trocar de prédio faz o eleitor faltar?
É essa resposta que define o impacto. Em vez de supor um número, medimos o que aconteceu em 2022, quando 1.506 urnas também trocaram de prédio entre os turnos. Para cada uma, comparamos a variação da abstenção do 1º para o 2º turno com a das urnas do mesmo município e da mesma zona eleitoral que não mudaram.
Não há sinal de que a abstenção tenha subido. Nas urnas que mudaram, ela variou 0,08 ponto a menos que nas vizinhas, com intervalo de 95% de 0,23 a menos a 0,08 a mais: uma diferença que não se distingue de zero. Em outras comparações, o resultado vai de 0,19 ponto a menos (só a mesma zona) a 0,14 a mais (mesmo local de cadastro).
É uma comparação entre urnas, não um experimento, e tem um limite: em 2022, as urnas que mudaram já tinham, no 1º turno, abstenção 0,8 ponto acima das vizinhas. A conta desconta essa diferença, mas supõe que, sem a mudança, a abstenção teria variado do mesmo jeito nos dois grupos. Em 2026, cerca de 74% das urnas que mudam estão voltando ao local de sempre, a situação mais comum também em 2022.
2. A conta para 2026
- Para cada uma das 1.025 urnas, multiplicamos os eleitores aptos pelo efeito medido em 2022 no mesmo tipo de mudança: abstenção 0,11 ponto menor nas urnas que voltam ao local de sempre e 0,03 ponto menor nas que saem dele. No total, dá cerca de 270 eleitores a mais votando, com intervalo de 170 a menos a 720 a mais.
- Supomos que esses eleitores se dividem como os votos da própria urna no 1º turno: numa urna onde Lula teve 60%, 60% deles votariam em Lula. É a principal hipótese da conta. Se quem falta não se dividir assim, o número muda, mas nos intervalos medidos continua perto de 0,1% da diferença nacional.
- Somando as 1.025 urnas, a vantagem de Flávio cairia 31 votos, com intervalo de 95% entre −77 e +14. Nas outras comparações, a variação fica entre −132 e +121 votos.
3. E se 2022 não servir de guia?
Também dá para olhar cenários que não dependem de 2022. Com 5 pontos de abstenção a mais em todas as 1.025 urnas, dez vezes o limite superior medido em 2022, a vantagem de Flávio cresceria cerca de 1,6 mil votos. Num cenário limite, se ninguém votasse nessas urnas e a abstenção atingisse por igual os eleitores dos dois lados, Lula perderia 26.108 votos líquidos, que foi a vantagem dele ali no 1º turno. Isso é 1,2% da diferença nacional.
Estado por estado
Para presidente, o que conta é a soma nacional. Por estado, o peso das mudanças também é pequeno. Onde há 2º turno para governador, a margem estadual importa mais, mas esses estados têm poucas urnas afetadas: Acre 7, Amazonas 48, Espírito Santo 14, Rio Grande do Norte 24 e Tocantins 32. O Distrito Federal não tem nenhuma. Ao todo, são 36 mil eleitores. O Rio de Janeiro não terá 2º turno para governador: Douglas Ruas foi proclamado eleito no 1º turno em 15/10, depois que o TSE manteve indeferida a candidatura de Anthony Garotinho e os votos dele foram anulados. O arquivo nacional de votação por seção do TSE traz só presidente, então não calculamos o voto para governador nessas urnas.
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Como foi feito
- Lista das mudanças. Cadastro de locais de votação do TSE (eleitorado_local_votacao_2026, gerado em 18/10/2026 às 20h27 de Brasília e baixado em 19/10), com uma linha por seção e por turno. A primeira versão desta página usou o cadastro gerado em 17/10 às 6h32; a segunda, o gerado em 17/10 às 23h37; a terceira, o gerado em 18/10 às 11h27. Uma urna muda de prédio quando o número do local no 2º turno é diferente do 1º, salvo se o nome e o endereço continuarem iguais (4 urnas só renumeradas). Também muda quando o número é o mesmo, mas o nome e o endereço mudam juntos (46 urnas). Quando só o nome ou só o endereço muda, tratamos como correção de cadastro (339 urnas).
- Mesmo endereço nos dois turnos. Quando o local muda de número e de nome, mas o endereço é idêntico, comparamos com o cadastro de 2022. Se o local do 2º turno tinha outro endereço em 2022, o cadastro reescreveu o endereço dele, e a urna não conta como mudança (nenhuma urna no cadastro atual; 20 nas versões anteriores). As demais (45 urnas, 11.265 eleitores) contam, com aviso no mapa. Em 2022 não dá para fazer esse teste, porque faltaria o cadastro de 2020; lá, 92 das 1.506 urnas têm o mesmo endereço nos dois turnos, quase todas com endereço genérico.
- Conferência com o painel. Painel do TSE em Estatísticas › Eleitorado › Capilaridade › Seções alteradas. As 4.864 seções da atualização de 17/10 (6h28) eram exatamente as que tinham local do 2º turno diferente do local de cadastro: as chaves (estado, zona e seção) batiam uma a uma, e eram 4.863 urnas, porque uma das seções é agregada. As 2.033 seções da atualização de 18/10 (7h09), exportadas pelo botão "Gerar arquivos", são as que têm local do 2º turno diferente do 1º, pelo número ou pelo nome. O painel não traz o código do município nem o número do local; ligamos cada seção ao cadastro por estado, nome do município, zona e seção, e todas encontraram par. A exportação de 18/10 (7h09) é anterior aos cadastros de 18/10, 11h27 e 20h27: 837 urnas do painel têm, no cadastro atual, o mesmo local nos dois turnos, e as 46 urnas que entraram na lista com esses cadastros não estão no painel. A coluna "Eleitorado" do painel usa outra contagem.
- Urna e eleitores. A urna é a seção principal. Os eleitores de seção agregada votam nela; seção "distribuída de ofício" (só em 2022) não tem urna e fica de fora. Eleitores aptos: o eleitorado federal da urna em cada turno, que já inclui as agregadas e quem pediu transferência temporária para ela.
- Votos do 1º turno. Votação por seção do TSE, presidente, 1º turno de 2026, sem o exterior. Comparecimento é a soma dos votos para presidente, incluindo brancos e nulos.
- Comparação com as vizinhas. Urnas do mesmo município e da mesma zona eleitoral que não mudam. Média ponderada, com intervalo de 95% por 2.000 sorteios desses grupos. Como sensibilidade, a mesma conta com toda a zona eleitoral (que pode juntar vários municípios) e com as urnas do mesmo local de cadastro.
- Por local de votação. Unidade: o local de cadastro da seção no cadastro de 17/10, 6h28, o mesmo do arquivo de votação por seção (94.539 locais com voto no Brasil, mediana de 883 votos válidos). Um local está na lista se alguma seção dele está. A lista do painel de 17/10 foi refeita a partir desse cadastro, que reproduz as 4.864 seções do painel; as de 18/10 vêm do painel exportado e do cadastro atual. A comparação de 96% é pelo número do local no 1º e no 2º turno. Mínimos quadrados, comparando locais do mesmo estado ou do mesmo município (efeito fixo), com erro-padrão agrupado por município. Com os votos de Lula e de Flávio em blocos de 10 mil, como na análise original, a lista de 17/10 vai na mesma direção: entre locais do mesmo estado, +0,038 para Lula (lá, +0,041). Sem efeito fixo, não reproduzimos o coeficiente dele (+0,054 aqui, +0,038 lá), embora o número de locais fique perto (94.709 lá; 94.539 aqui, sem os 170 do exterior). No gráfico, usamos o percentual de Lula nos votos válidos, controlando o total de votos do local, porque 10 mil votos a mais de Lula, com os de Flávio fixos, significam ao mesmo tempo um local maior e mais lulista, e são mais que o total de quase todos os locais. Com a lista de 17/10, a associação entre locais do mesmo estado depende da medida: positiva com votos em blocos de 10 mil (+0,038; com o local do 1º turno como unidade, +0,078), com o percentual de Lula e o logaritmo dos votos válidos no local do 1º turno (+0,09, intervalo de 0,00 a +0,18) e com ponderação por eleitores (+0,12); perto de zero com o percentual e os votos válidos (+0,01). Entre locais do mesmo município, nenhuma medida que separa o voto do tamanho do local dá associação positiva com essa lista, como na análise original; na do gráfico, dá negativa (−0,15). Com os votos em blocos de 10 mil e o local do 1º turno, Lula dá +0,069, mas Flávio também sobe, e a diferença entre os dois não é significativa: é o tamanho do local. Com a lista do painel de 18/10 e com as 1.733 urnas da versão anterior desta página, nenhuma das medidas testadas (votos em blocos de 10 mil, percentual de Lula com os votos válidos ou com o logaritmo deles, margem, ponderação por eleitores, fração de seções, logit; efeito fixo de estado, mesorregião, zona ou município; local de cadastro ou do 1º turno como unidade) dá associação positiva significativa dentro do estado ou do município; algumas dão negativa. Com as 1.025 urnas do cadastro atual, refizemos as medidas do script (votos em blocos de 10 mil e percentual de Lula, com o local de cadastro ou o do 1º turno como unidade), e nenhuma dá associação significativa dentro do estado ou do município. No limite dos intervalos, na medida do gráfico, 10 pontos a mais de Lula levariam a chance de 0,30% para cerca de 0,37%. A diferença entre as listas, porém, não é estatisticamente significativa. Entre todos os locais, sem efeito fixo, a associação é positiva nas três listas. No gráfico por faixa, o percentual de Lula do local é comparado com o do estado ou do município inteiro, somando todos os votos válidos do lugar; municípios com um local só ficam de fora da comparação por município. O intervalo de cada faixa é o de Wilson, para uma proporção. As tabelas completas estão em
saida/por_local.csvesaida/por_local_faixas.csv. - Geografia, 2022 e 2026. Urnas que trocam de prédio do 1º para o 2º turno, pelo mesmo critério nos dois anos (exceto o teste de endereço reescrito, só possível em 2026, que no cadastro atual não retira nenhuma urna), sem o exterior. O peso de cada região é o dos eleitores aptos. O voto esperado é o percentual de Lula no estado ou no município, ponderado pelos votos válidos das urnas que mudam. A correlação entre os anos é a de Spearman, entre as proporções de urnas que mudam em cada estado. Detalhes em
saida/geografia.json. - Efeito de 2022 aplicado a 2026. Por tipo de mudança (volta ao local de sempre ou sai dele). O intervalo sorteia os grupos de 2022 uma vez para os dois tipos ao mesmo tempo. É uma comparação entre urnas, não um experimento: as que mudam podem ser diferentes das outras por outros motivos.
- Distância. Linha reta entre as coordenadas dos dois prédios. Um ponto só vale se cair dentro do município, pela malha do IBGE. 269 urnas ficam sem distância: sem coordenada, coordenada fora do município, ou prédio novo com o mesmo número de local, caso em que o cadastro não atualizou a coordenada. No mapa, aparecem no ponto que tem coordenada; 3 trajetos só aparecem na lista. Mudanças de mais de 10 km estão listadas no repositório para conferência.
- Contornos. Malhas de estados e municípios do IBGE, em qualidade intermediária e simplificadas para a página. Os municípios do TSE foram ligados aos do IBGE pelo nome e pela UF.
- O que fica de fora. A redistribuição dos votos de quem escolheu outros candidatos no 1º turno, o voto para governador e o efeito de filas ou de informação errada sobre o local.
- Quem faltou no 1º turno. Comparamos o 2º turno com o 1º, a referência de quem votou no dia 4. Para quem faltou, a referência é o último local onde votou, em geral o de 2024, e essa comparação não foi feita. O local de cadastro serve de aproximação: 6.035 urnas votam no 2º turno fora dele, com 1,82 milhão de eleitores, dos quais 368 mil faltaram no 1º turno. Em 5.811 dessas urnas, a mudança já valia no dia 4, e a abstenção nelas foi de 20,2%, perto dos 20,8% do país: a maior parte dessa falta é a de sempre, não efeito da mudança. Se você faltou no 1º turno, confirme o local no e-Título.
- Até o dia 25. O TSE ainda pode mudar locais, como mudou entre as quatro versões do cadastro de 17/10 e de 18/10. Estes números valem para o cadastro gerado em 18/10 às 20h27. Se sair uma versão nova, a página será refeita e a mudança, registrada aqui.
Fontes: TSE, dados abertos (cadastro de locais de votação 2022 e 2026; votação por seção 2022 e 2026) e painel de estatísticas do eleitorado. IBGE, API de malhas. Contexto: Fato ou Boato e notícia do TSE. As 4.352 seções divulgadas pelo TSE foram noticiadas pela Agência Brasil (16/10), Brasil de Fato, Revista Fórum e Correio, entre outros. Governo do Rio: Correio da Manhã. Para conferir o seu local, use o e-Título ou o Autoatendimento Eleitoral do TSE.